Céu e pensamentos...
Sento na frente de casa, dentro da vila e olho pro céu. Olhar pro céu, principalmente a noite, me faz pensar, mas como não tenho uma mente tranquila, é sempre um turbilhão de coisas.
Como se minha mente fosse um bingo, puxei um número aleatório e analisei o pensamento. Mudança. Mudanças sempre me deixaram ansiosa, mesmo que algumas tenham sido boas, sempre me causam um desconforto que não sei lidar. Não aprendi a lidar.Eu mudei absurdamente nos últimos anos, minhas falas e atitudes se parelham mais com a forma que acho correto e com quem eu sou. Meus sentimentos mudaram nesse último ano, uns se transformaram e se fortaleceram, outros nasceram e crescem numa constância que também me assusta. Minha realidade em casa também capotou, algumas mudanças foram horríveis e me deixam insegura até hoje, outras doem por não me sentir pertencendo a lugar nenhum e outras me trazem uma realidade cruel, o tempo é ligeiro e findavel, e essa percepção é avassaladora.
Em 10 dias sairei da casa que morei nos últimos 2 anos e meio, mas mudança de casa não é o que assusta. Acho que desaprendi a reconhecer um lugar físico como lar. Perdi há quase 20 anos o local que eu achava ser perfeito e com ele foi-se também a constância dos laços familiares. Fui para uma casa onde não me sentia "em casa", constantemente sendo lembrada de que não era minha e que minha presença ali, atrapalhava. Internalizei essa informação e aprendi a conviver com essa realidade. Após uma mudança que a vida preparou, sai da casa onde vivi durante 17 anos e habitei outro local, aqui fui lembrada que nada me pertence, eu apenas cohabito com alguém e depois, fui forçada a coexistir com outro alguém que me faz mal em diversos âmbitos e novamente lembrada de que eu só atrapalho. Agora, vou pra outro local, mas as pessoas são as mesmas e isso me gera ansiedade em querer saber se algo a mais mudará além do endereço.
Carrego comigo, na pele, um lembrete do que eu mais quero: paz. Mas percebo que encontro isso em pessoas e não nos locais. A minha paz estava junto quando dancei com a mãe uma música que ela gosta na varanda da nova casa. A minha paz está quando saio pra encontrar a Marida. Encontro a paz quando estou com a Alexia, ela ainda continua sendo a paz no meio do caos que eu sou. E nos finais de semana, tão esperados, a paz vem de mochila e perfumada, me envolve de carinho e amor, me lembra que mudanças são boas as vezes, que a leveza que eu entendi que era um pilar importante num relacionamento é possível e real, me lembra que amores devem ser sentidos e vividos com toda a intensidade que eu sou.
Eu não consigo controlar as mudanças, mas posso tentar lidar com elas. Acho que melhorei nesse quesito, agora sinto "apenas" um nervoso constante, mas sigo...
Eu não consigo controlar meus pensamentos, mas ainda posso colocá-los por aqui.
Eu não posso controlar as pessoas, mas posso escolher continuar sendo eu e tentando descobrir se isso é bom ou não e sempre lembrando de que tenho meu infinito particular por perto, cada um do seu jeito, me fazendo sentir que sou muito sortuda de te-los ao meu lado.
Pq, no final, "tudo que nois tem é nois".
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